EXERCÍCIOS

Exercícios

Instrução: Leia o texto a seguir para responder às questões 01 e 02.

Preceito

Que de quilombos que tenho

com mestres superlativos,

nos quais se ensinam de noite

os calundus, e feitiços.

Com devoção os frequentam

mil sujeitos femininos,

e também muitos barbados,

que se presam de narcisos.

Ventura dizem, que buscam;

não se viu maior delírio!

eu, que os ouço, vejo, e calo

por não poder diverti-los.

O que sei, é, que em tais danças

Satanás anda metido,

e que só tal padre-mestre

pode ensinar tais delírios.

Não há mulher desprezada,

galã desfavorecido,

que deixe de ir ao quilombo

dançar o seu bocadinho.

E gastam pelas patacas

com os mestres do cachimbo,

que são todos jubilados

em depenar tais patinhos.

E quando vão confessar-se,

encobrem aos Padres isto,

porque o têm por passatempo,

por costume, ou por estilo.

Em cumprir as penitências

rebeldes são, e remissos,

e muito pior se as tais

são de jejuns, e cilícios.

A muitos ouço gemer

com pesar muito excessivo,

não pelo horror do pecado,

mas sim por não consegui-lo.

MATOS, Gregório de. Obra Poética. 3ª ed.,
Rio de Janeiro: Editora Record, 1992.

01. Assinale a alternativa correta em relação ao texto.


02. No texto, o poeta

Instrução: Leia o texto a seguir para responder às questões 03 e 04.

À fome que houve na Bahia no ano de 1691

1

Toda a cidade derrota

esta fome universal,

uns dão a culpa total

à Câmara, outros à frota:

a frota tudo abarrota

dentro dos escotilhões,

a carne, o peixe, os feijões;

e se a Câmara olha, e ri,

porque anda farta até aqui,

é cousa, que me não toca:

Ponto em boca.

[...]

3

A fome me tem já mudo,

que é muda a boca esfaimada,

mas se a frota não traz nada,

por que razão leva tudo?

que o Povo por ser sisudo

largue o ouro, e largue a prata

a uma frota patarata,

que entrando co’a vela cheia,

o lastro que traz de areia,

por lastro de açúcar troca:

Ponto em boca.

[...]

5

Ele tanto em seu abrigo,

e o povo todo faminto,

ele chora, e eu não minto,

se chorando vo-lo digo:

tem-me cortado o embigo

este nosso General,

por isso de tanto mal

lhe não ponho alguma culpa;

mas se merece desculpa

O respeito, a que provoca,

Ponto em boca.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos: Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

03. Assinale a alternativa incorreta.


04. No texto, o eu lírico


05. (UFV-MG) Leia o texto.

Goza, goza da flor da mocidade,

que o tempo trota a toda ligeireza,

e imprime em toda flor sua pisada.

Ó não aguardes que a madura idade

Te converta essa flor, essa beleza,

em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

(Gregório de Matos)

Os tercetos acima ilustram

Instrução: Leia o trecho do Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda, do Padre Antônio Vieira, e o soneto de Gregório de Matos Guerra a seguir, para responder às questões 06 e 07.

Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda

[...]

Pede razão Jó a Deus, e tem muita razão de a pedir – responde por ele o mesmo santo que o arguiu –,
porque se é condição de Deus usar de misericórdia, e é grande e não vulgar a glória que adquire em perdoar pecados, que razão tem, ou pode dar bastante, de os não perdoar? O mesmo Jó tinha já declarado a força deste seu argumento nas palavras antecedentes, com energia para Deus muito forte: Peccavi, quid faciam tibi? Como se dissera: “Se eu fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não fazer, como Deus em me perdoar?” Ainda disse e quis dizer mais: Peccavi, quid faciam tibi? Pequei, que mais vos posso fazer? E que fizestes vós, Jó, a Deus em pecar? – Não lhe fiz pouco; porque lhe dei ocasião a me perdoar, e, perdoando-me, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei a ele, como a causa,
a graça que me fizer, e ele dever-me-á a mim, como a ocasião, a glória que alcançar.

VIEIRA, Padre Antônio. Domínio Público.

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,

Da vossa piedade me despido;

Porque, quanto mais tenho delinquido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.


Se basta a vos irar tanto um pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido:

Que a mesma culpa, que vos há ofendido,

Vos tem para o perdão lisonjeado.


Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino

Vos deu, como afirmais na sacra história,


Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada:

Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,

Perder na vossa ovelha a vossa glória.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos: Gregório de Matos.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

06. Considere as seguintes afirmações sobre os dois textos.

I. Tanto Padre Vieira quanto Gregório de Matos se dirigem a Deus mediante a segunda pessoa do plural (vós, vos): Gregório argumenta que o Senhor está empenhado em perdoá-lo, enquanto Vieira se dirige a Deus (E que fizestes vós...) para impedir que Jó seja perdoado.

II. Padre Vieira vale-se das palavras e do exemplo de Jó, figura do Velho Testamento, para argumentar que o homem abusa da misericórdia divina ao pecar, e que Deus, de acordo com a ocasião e os argumentos fornecidos por Jó, se inclina para o castigo no lugar do perdão.

III. Tanto Padre Vieira como Gregório de Matos argumentam sobre a misericórdia e a glória divinas: assim como Jó, citado por Vieira, declara que Deus lhe deverá a glória por tê-lo perdoado; Gregório compara-se à ovelha desgarrada que, se não for recuperada, pode pôr a perder a glória de Deus.

Quais estão corretas?


07. Assinale a alternativa correta a respeito dos textos.


08. (UFPR–2016) O soneto “No fluxo e refluxo da maré encontra o poeta incentivo pra recordar seus males”, de Gregório de Matos, apresenta características marcantes do poeta e do período em que ele o escreveu:


Seis horas enche e outras tantas vaza

A maré pelas margens do Oceano,

E não larga a tarefa um ponto no ano,

Depois que o mar rodeia, o Sol abrasa.


Desde a esfera primeira opaca, ou rasa

A Lua com impulso soberano

Engole o mar por um secreto cano,

E quando o mar vomita, o mundo arrasa.

Muda-se o tempo, e suas temperanças.

Até o céu se muda, a Terra, os mares,

E tudo está sujeito a mil mudanças.


Só eu, que todo o fim de meus pesares

Eram de algum minguante as esperanças,

Nunca o minguante vi de meus azares.


De acordo com o poema, é correto afirmar:


09. (Insper-SP–2017)

I – Obra de Caravaggio (1571-1610)

Disponível em: <http://www.caravaggio-foundation.org>.

II – Soneto de Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos (seleção e organização José Miguel Wisnik).
São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

A leitura comparativa da obra e do poema permite identificar como característica comum a ambos o


Instrução: Texto para as questões 10 e 11.

Não vira em minha vida a formosura,

Ouvia falar nela cada dia,

E ouvida me incitava, e me movia

A querer ver tão bela arquitetura:

Ontem a vi por minha desventura

Na cara, no bom ar, na galhardia

De uma mulher, que em Anjo se mentia;

De um Sol, que se trajava em criatura:

Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,

Se esta a cousa não é, que encarecer-me

Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:

Olhos meus, disse então por defender-me,

Se a beleza heis de ver para matar-me,

Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.

MATOS, Gregório de.
Disponível em: <http://bibliotecamunicipalmurilomendes.blogspot.com.br/
2009/04/gregorio-de-matos.html>. Acesso em: 30 abr. 2016.

10. (Insper-SP–2016) No soneto, explicita-se a reação do eu lírico à beleza de uma mulher. Tal reação ilustra a influência que exerceu, sobre a arte do século XVII, a ideologia


11. (Insper-SP–2016) Uma das características estilísticas do poema é a valorização de aspectos sensoriais. No texto, tal valorização pode ser identificada por meio


12. (UEG-GO)

ALEIJADINHO. Cristo do carregamento da Cruz.
Enciclopédia Barsa, 1998.

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,

Da vossa alta clemência me despido;

Porque quanto mais tenho delinquido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Obra poética de Gregório de Matos.
Rio de Janeiro: Record, 1990.

Durante o período colonial brasileiro, as principais manifestações artísticas, populares ou eruditas, foram, assim como nos demais aspectos da vida cotidiana, marcadas pela influência da religiosidade. Nesse sentido, com base na análise da presença da religiosidade na obra de Aleijadinho e Gregório de Matos, é correto afirmar:


13. Soneto

Um soneto começo em vosso gabo;

Contemos essa regra por primeira,

Já lá vão duas, e esta é a terceira,

Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo;

A sexta vai também desta maneira

Na sétima entro já com grã canseira,

E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?

Direi que vós, Senhor, a mim me honrais,

Gabando-vos a vós, eu fico um rei.

Nesta vida um soneto já ditei,

Se desta agora escapo, nunca mais;

Louvado seja Deus, que o acabei.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos: Gregório de Matos.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

“O texto é um soneto, porque tem uma forma definida”. Explique tal afirmativa.


14. O texto da questão 13 passa a nítida impressão de que o poeta não o queria escrever. Isso ocorre porque o nobre que lhe pedira o soneto não merecia elogios. Que efeito o texto acaba transmitindo?


15. A instabilidade das cousas do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.


Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?


Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.


Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.


Explique de que maneira a síntese (última estrofe) do soneto de Gregório de Matos vincula-se ao projeto estético do Barroco.