01. Sobre a estrutura do Romanceiro da Inconfidência , é CORRETO afirmar que a obra:
02. Assinale a alternativa em que o recurso de linguagem está em CORRETA relação com os versos.
03. São características recorrentes nos versos que compõem a obra, EXCETO
04. No Romanceiro da Inconfidência, Vila Rica é apresentada, na maioria das vezes, como um cenário
Instrução: Leia o texto a seguir para responder às questões de 05 a 07.
A dois séculos de distância, o espetáculo ainda é assombroso [...] Que de tão longe uma Rainha enlouqueça e venha a morrer no cenário final do drama; que os sonhos dos Inconfidentes se cumpram depois de tantas sentenças; e que o Brasil se torne independente dali a 31 anos, e a República seja proclamada exatamente ao cumprir-se um século sobre aquelas prisões − tudo parece impregnado de um mistério claro, desejoso de revelar-se e de se fazer compreender.
MEIRELES, Cecília. Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência. In: Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012. p. 255.
05. (PUC-Campinas-SP – 2013) É CORRETO afirmar que a Independência do Brasil realizou os sonhos dos inconfidentes, como afirma Cecília Meireles, no que diz respeito
06. (PUC-Campinas-SP – 2013) Tendo como centro os sonhos dos inconfidentes, Cecília Meireles criou a obra-prima que é o Romanceiro da Inconfidência, poema
07. (PUC-Campinas-SP – 2013) Referindo-se no texto à origem e à motivação do Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles sugere que uma obra literária
08. (UFPR–2013) Leia atentamente este trecho do Romanceiro da Inconfidência:
Romance LIV ou Do Enxoval Interrompido
Aqui esteve o noivo,
de agulha e dedal,
bordando o vestido
do seu enxoval.
Em maio, era em maio,
num maio fatal;
feneciam rosas
pelo seu quintal.
Por estrada e monte,
neblina total.
No perfil da lua,
um nimbo mortal.
(Mas quem lê na névoa
o amargo sinal?)
A noite na Vila
é densa e glacial.
O sono, embuçado
em cada beiral.
Quem não dorme, sonha
com seu enxoval.
A agulha, de prata,
e de ouro, o dedal.
Em haste de cera,
ergue o castiçal
para a turva noite
lírio de cristal.
“Sabeis, ó pastora,
daquele zagal*
que andava num prado
sobrenatural?
Teria inimigo?
Teria rival?”
O sono conversa
em cada poial**.
“Sabeis, ó pastora,
quem seja o chacal
que os passos arrasta
de Longe arraial?
Eu vi sua língua:
é um negro punhal.
Que mortes fareja
o imundo animal?”
*Zagal: pastor.
**Poial: assento de pedra na entrada de uma casa.
O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, vincula-se a uma tradição literária que prevê a mescla de gêneros. No livro, a recriação de fatos históricos, as falas de personagens espalhadas por toda a peça e a linguagem repleta de recursos expressivos poéticos resultam em uma obra singular. Com base nisso, considere as seguintes afirmativas:
1. A primeira estrofe apresenta a personagem central e sua ação anterior a uma reviravolta.
2. A segunda estrofe possui imagens líricas que podem ser associadas à poética da personagem retratada, como o carpe diem presente no verso “feneciam rosas”.
3. A contraposição entre dormir e sonhar, na terceira estrofe, é desenvolvida no diálogo entre a pastora e o sono, transcrito entre aspas.
4. O diálogo final atenua gradativamente a aflição inicial ao apresentar um conjunto de interrogações estruturadas em linguagem figurada.
09. Texto I
Romance XXVII ou Do Animoso Alferes
[...]
A bússola mira.
Toma para leste.
Dez dias de marcha
até que atravesse
campinas e montes
que com os olhos mede:
tão verdes... tão longos...
(E ninguém percebe
como é necessário
que terra tão fértil,
tão bela e tão rica
por si se governe!)
Águas de ouro puro
seu cavalo bebe.
Entre sede e espuma,
os diamantes fervem...
(A terra tão rica
e – ó almas inertes! –
o povo tão pobre...
Ninguém que proteste!
Se fossem como ele,
a alto sonho entregue!)
[...]
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 95-96.
Romance LXII ou Do Bêbado Descrente
[...]
Parecia um santo,
de mãos amarradas,
no meio de cruzes,
bandeiras e espadas.
[...]
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 160-161.
Com base nos versos anteriores e em outras passagens do Romanceiro da Inconfidência, COMENTE como a imagem de Tiradentes é construída na obra de Cecília Meireles.
10. Fala Inicial
Não posso mover meus passos
por esse atroz labirinto
de esquecimento e cegueira
em que amores e ódios vão:
– pois sinto bater os sinos,
percebo o roçar das rezas,
vejo o arrepio da morte,
à voz da condenação;
– avisto a negra masmorra
e a sombra do carcereiro
que transita sobre angústias,
com chaves no coração;
– descubro as altas madeiras
do excessivo cadafalso
e, por muros e janelas,
o pasmo da multidão.
Batem patas de cavalo.
Suam soldados imóveis.
Na frente dos oratórios,
que vale mais a oração?
Vale a voz do Brigadeiro
sobre o povo e sobre a tropa,
louvando a augusta Rainha,
– já louca e fora do trono –
na sua proclamação.
[...]
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 37.
ANALISE os versos anteriores, destacando como eles sintetizam muitas características presentes na obra Romanceiro da Inconfidência.